A terapia de luz vermelha (ou fotobiomodulação) é cada vez mais conhecida pelos seus efeitos sobre a pele, a dor e a recuperação muscular. Nos últimos anos, também se começou a investigar o seu possível papel na libido e na função sexual, embora a evidência ainda seja limitada.
O que tem de especial a terapia de luz vermelha
A terapia de luz vermelha utiliza luz vermelha e infravermelho próximo (aprox. 650–850 nm) aplicada com baixa intensidade, normalmente através de LEDs ou lasers suaves.
Essa luz é absorvida pelas mitocôndrias, aumentando a produção de energia (ATP), modulando o óxido nítrico (NO) e reduzindo a inflamação. Estes mecanismos estão bem descritos na literatura de fotobiomodulação e explicam por que pode ter efeitos sistémicos.
Como poderia influenciar a libido
A libido depende de muitos fatores: hormonas, circulação sanguínea, estado de espírito, dor, qualidade da relação, etc. A luz vermelha poderia intervir em vários deles:
- Hormonas sexuais
Em modelos animais, observou-se que a irradiação de baixa intensidade sobre os testículos pode elevar transitoriamente a testosterona e melhorar parâmetros de fertilidade. Em humanos, há dados clínicos em contextos como infertilidade, mas não existem protocolos padronizados para aumentar a testosterona em homens saudáveis, embora existam provas isoladas. - Fluxo sanguíneo e função erétil
A fotobiomodulação melhora a função endotelial e o Óxido Nítrico e, em modelos de disfunção erétil, protege nervos cavernosos e vasos. Em humanos, as séries clínicas são promissoras, mas pequenas; hoje considera-se, no máximo, um coadjuvante, não um substituto de tratamentos como os inibidores da PDE5. - Cérebro, estado de espírito e stress
A aplicação transcraniana (tPBM) demonstrou melhorar sintomas de depressão em vários estudos piloto. Em pelo menos um ensaio pequeno, também se observaram melhorias na função sexual de doentes com depressão, o que faz sentido se pensarmos que o estado de espírito e o stress deitam a libido abaixo. - Saúde sexual feminina
Alguns ensaios com laser/LED de baixa intensidade ao nível vaginal mostraram melhorias na atrofia, secura, dor e pontuações de função sexual em mulheres pós-menopáusicas. São estudos iniciais, mas apontam para uma possível utilidade como apoio em casos selecionados.
O prático e a prudência
Os estudos costumam usar comprimentos de onda em torno de 630–850 nm, densidades de energia baixas ou moderadas e sessões de 10–20 minutos várias vezes por semana. No entanto:
- não existe ainda um protocolo “oficial” para tratar a libido, mas encontraram-se benefícios em aplicações de curta duração
- a zona genital é especialmente sensível e não faz sentido copiar doses agressivas de estudos em animais
- antes de procurar soluções de “biohacking” é preciso excluir problemas médicos, rever a medicação e trabalhar o estilo de vida, o stress e a relação do casal
A terapia de luz vermelha faz sentido como parte de uma estratégia global de saúde sexual (sono, exercício, nutrição, gestão do stress, terapia psicológica quando é necessário), não como única ferramenta milagrosa.
Uma grande ajuda para a recuperação
A terapia de luz vermelha tem bases fisiológicas sólidas e evidência preliminar interessante em hormonas, função erétil, estado de espírito e saúde sexual feminina. Hoje em dia, os dados em humanos sobre libido, embora ainda sejam escassos e provenham de estudos pequenos ou centrados noutros problemas (depressão, infertilidade, atrofia vaginal), abrem uma janela de esperança para este problema que afecta muitas pessoas.
O prudente é considerar a terapia de luz vermelha como uma ajuda dentro de uma abordagem integral e sempre com aconselhamento de profissionais que conheçam tanto a esfera sexual como a fotobiomodulação.
Referências
- Ahn, JC, Kim, YH e Choi, KH (2019). Os efeitos da terapia com laser de baixa intensidade (LLLT) sobre a produção de testosterona de células de Leydig de rato. Óptica Biomédica Express, 10(11), 5834-5846.
- Avci, P., Gupta, A., Sadasivam, M., Vecchio, D., Pam, Z., Pam, N. e Hamblin, MR (2013). Terapia com laser (luz) de baixa intensidade (LLLT) na pele: estimulante, cicatrizante e restauradora. Seminários de Medicina e Cirurgia Cutânea, 32(1), 41-52.
- Cassano, P., Petrie, SR, Mischoulon, D., Cusin, C., Katnani, H., Yeung, A.,… e Fava, M. (2019). Fotobiomodulação transcraniana para o tratamento da perturbação depressiva major. A prova piloto ELATED-2. Fotomedicina e Cirurgia Láser, 37(10), 640-646.
- Hamblin (2018). Mecanismos e aplicações dos efeitos anti-inflamatórios da fotobiomodulação. AIMS Biofísica, 4(3), 337-361.
- Warnock, JK (2002). Perturbação do desejo sexual hipoactivo feminino: epidemiologia, diagnóstico e tratamento. Fármacos do SNC, 16(11), 745-753.
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Este blog é apenas para fins educacionais e informativos. Não se destina, em momento algum, a substituir o aconselhamento médico. De forma alguma afirmamos que esses produtos irão curar qualquer condição física, de pele ou mental apenas pelo uso.
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